Oikum: O Tijolo do Futuro

Oikum pode afirmar-se como o tijolo tecnológico do futuro porque transporta uma das grandes invenções da humanidade — construir com módulos — para uma lógica de precisão, adaptação e circularidade.

Na Mesopotâmia, a terra moldada em tijolos e seca ao sol permitiu transformar um recurso abundante (a argila) em casas, muralhas e cidades. Mais tarde, a utilização de tijolos cozidos acrescentou durabilidade (como atestam as ruinas de Conímbriga). A inovação fundamental estava na própria ideia: uma pequena peça, repetida e organizada, podia dar origem a construções de grande dimensão. Khorsabad

Ao longo dos séculos, o tijolo evoluiu nos materiais, no fabrico e na geometria. A industrialização trouxe maior regularidade; os alvéolos permitiram reduzir material e peso. Oikum dá continuidade a essa história, propondo uma nova evolução: o tijolo como componente de um sistema construtivo integrado.

A partir das características desenvolvidas para Oikum, essa mudança assenta em seis ideias:

  • Geometria funcional. A estrutura alveolar organiza o material e reduz o peso, criando espaços interiores que podem receber instalações, reforços ou enchimentos, conforme a aplicação, reforçando simultaneamente a robustez estrutural da construção.
  • Montagem por encaixe. A ligação entre peças e o novo material (rPC) permitem conceber montagens a seco (click!), reduzir operações em obra e facilitar o posicionamento dos módulos.
  • Leveza e precisão. As peças poliméricas (d = 1,2) podem facilitar o transporte e o manuseamento e diminuir a carga sobre a estrutura de suporte. A repetibilidade geométrica abre também caminho à montagem assistida por robôs.
  • Versatilidade. O mesmo sistema pode combinar diferentes configurações, revestimentos e preenchimentos, respondendo a necessidades distintas. Também serrar, furar, roscar…
  • Valorização de materiais reciclados. A utilização de policarbonato reciclado (rPC) transforma um material recuperado num componente com uma vida útil prolongada (economia circular).
  • Reutilização prevista no projeto. Nas soluções que preservem a desmontagem, os blocos podem ser recuperados e voltar a integrar outra construção, adquirindo nova vida após uso. Revestimentos, colas e enchimentos devem ser escolhidos (ou evitados) de acordo com esse objetivo.  Aqui que surge o novo paradigma Oikum da construção sustentável: pensar, desde o desenho da peça, no que acontecerá quando o espaço precisar de mudar. Uma parede pode passar a ser entendida como um conjunto durável de componentes com valor recuperável, preparado para manutenção, transformação e novos usos. Acabar com o entulho das demolições. Esta abordagem acompanha os princípios europeus de construção circular: durabilidade, adaptabilidade, redução de resíduos e projeto para desmontagem. single-market-economy.ec.europa.eu

A sustentabilidade de Oikum será demonstrada ao longo do ciclo de vida: origem e quantidade de material, energia de fabrico, transporte, duração, reutilizações e destino final. Conforto, estética e segurança. Cada aplicação construtiva exigirá validação do comportamento ao fogo, mecânico, térmico e acústico, caso a caso.

Da Mesopotâmia a Oikum, permanece a inteligência de construir o grande a partir do pequeno. O passo seguinte é acrescentar à capacidade de construir a capacidade de transformar e recuperar. A construção deixa de ser irreversível. É urgente encontrar soluções rápidas e eficientes para a construção e para a habitação!

Oikum apenas começou. Temos pela frente um desígnio comum: uma sociedade mais sustentável e inclusiva.

Oikum — O tijolo tecnológico. Construindo um novo Futuro.